Seis mitos e verdades sobre musculação na adolescência

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Os coaches Cristiano Parente e Lara Natacci esclarecem as principais dúvidas sobre o tema

 

O desejo pelo corpo sarado tem atraído muitos adolescentes para as academias. São jovens que, cada vez mais cedo, buscam a musculação e a suplementação com o anseio de adquirir uma forma física invejável. O assunto envolve uma série de dúvidas, principalmente dos pais, que desconhecem tanto os riscos quanto os benefícios da prática desse tipo de atividade física desde cedo.

A seguir, o educador físico e coach Cristiano Parente, atual melhor personal trainer do mundo, eleito em concurso internacional promovido pela Life Fitness, e a nutricionista e coach de bem-estar, Lara Natacci, esclarecem os seis principais mitos e verdades que envolvem a musculação e a suplementação na adolescência.

  1. Há idade mínima para a prática da musculação

MITO. O que limita alguém a começar a musculação, na verdade, além do fator motivacional, as vezes inexistente nos jovens por se tratar de exercícios muito repetitivos, é o tamanho dos equipamentos. Eles são feitos para pessoas com determinada altura. Quando uma criança ou adolescente está abaixo desse mínimo, o equipamento não consegue se ajustar e se adaptar a ela.

Sem esses fatores e com o acompanhamento de um educador físico, que determinará os tipos de movimento e cargas a serem utilizadas, não há qualquer limite mínimo de idade para iniciar a prática da musculação. Os movimentos ali realizados não se diferem dos já feitos pelas crianças ou jovens rotineiramente. O agachamento, por exemplo, é um exercício de sentar e levantar, o que o jovem faz diversas vezes por dia. Há vários outros exemplos de movimentos que fazemos diariamente e que se repetem na sala de musculação, com equipamentos.

A execução desses movimentos rotineiros numa sala de musculação não causa qualquer interferência negativa no crescimento do jovem. Ao contrário, com o uso de equipamentos, ele estará em posição correta e equilibrada, exercitando os músculos de maneira totalmente saudável. O mais importante é ter um controle de intensidades e cargas adequado e compatível com a idade, e respeitar as questões motivacionais de cada um.

  1. A musculação na adolescência traz benefícios

VERDADE. A prática da musculação bem como de qualquer outra atividade física deve começar desde cedo. A musculação, inclusive, em muitos casos, tem menos sobrecarga de pesos do que outros esportes, desde que a intensidade seja controlada pelo educador físico. Esse cuidado é essencial e, devidamente tomado, fará com que a musculação traga benefícios como desenvolvimento do corpo de maneira melhor; produção hormonal mais regulada; ganho de massa muscular; mais consumo de energia, circulação controlada, menos acúmulo de gordura, entre outros tantos.

  1. Maior risco de lesão aos jovens

MITO. Os riscos de lesão na musculação são exatamente os mesmos da execução de qualquer outro movimento, como um simples ato de levantar e de sentar ou na realização de qualquer tipo de esforço. Basta fazer o trabalho controlado que o jovem não se machucará ao realizar exercícios.

Para que os jovens possam praticar a musculação sem qualquer tipo de problema, Cristiano Parente ressalta a importância de se respeitar os limites do corpo e de cada fase da vida. “Em geral, o nosso corpo não consegue fazer um esforço além de sua capacidade. Cada um de nós tem essa percepção, com margem de segurança altíssima. Esse é o principal limitador dos exercícios”.

Para o atual melhor personal trainer do mundo, “respeitar esse limite e fazer os exercícios dentro das limitações, em aparelhos que garantam a segurança, com a técnica correta e uma boa execução do movimento é a fórmula para que a musculação só traga benefícios para os praticantes de qualquer idade. Tudo isso, claro, sob a atenção de bons profissionais, capazes de dar toda orientação de maneira eficiente”.

  1. Suplementos alimentares potencializam resultados nos jovens

MITO. Esse, aliás, é um problema recorrente não só aos jovens, mas aos frequentadores de academia em geral. Para Lara Natacci, além do consumo indiscriminado, sem orientação especializada, o problema mais comum é o exagero no consumo desse tipo de produto.

“Na maioria das vezes, eles são ingeridos sem haver real necessidade, uma vez que a adaptação da rotina alimentar já bastaria para que muitos alcançassem seus objetivos. Como o nome diz, é um suplemento, ou seja, algo que deve complementar uma alimentação insuficiente de algum nutriente, constatada somente mediante a realização de avaliação nutricional”, esclarece Lara.

  1. Jovens que usam suplementos podem sofrer riscos à saúde

VERDADE. A constatação de que o uso exagerado e desnecessário dos suplementos alimentares acarreta em riscos à saúde também vale para os jovens. E os riscos são inúmeros.

“O ganho de peso em gordura é um deles. Isso porque, de tudo o que ingerimos, fonte de carboidrato, proteína ou gordura, o que não aproveitamos será estocado em nosso organismo em forma de gordura corporal. Além disso, pode haver sobrecarga no fígado e nos rins, órgãos responsáveis pela eliminação de substâncias não necessárias ao organismo”, diz a nutricionista.

Suplementos ricos em sódio podem reter líquidos e em pessoas sensíveis podem provocar o aumento da pressão arterial, além da sobrecarga nos rins. Os muito ricos em carboidratos, quando ingeridos sem necessidade, podem sobrecarregar o sistema de controle da glicemia, o que pode gerar uma resistência à insulina. Já os termogênicos podem aumentar a pressão arterial, acelerar o ritmo cardíaco, o trânsito intestinal, além de causar insônia, ansiedade e irritabilidade.

  1. Pais devem ajudar na escolha da academia

VERDADE. Os pais devem se preocupar na escolha da academia que seus filhos frequentarão. Ela deve ter ambiente saudável, onde não exista a utilização de drogas esteroides anabolizantes e que tenha bons profissionais, capazes de orientar de forma correta e eficiente seus filhos na prática da musculação.

“Esses cuidados são fundamentais. Outros pontos, entretanto, auxiliam na escolha da academia. Além de saudável, o ambiente precisa ser motivador. Nesse sentido, o som e as possibilidades de interatividade influenciam na escolha dos jovens. Academias que se atentam a esses pontos são grandes candidatas a receber esse público específico e que não para de crescer”, conclui Parente.

Divulgação

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