Riqueza mineral do Amapá é sub-explorada, reclamam senadores

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O Amapá é um território rico, especialmente em minérios, e pode contribuir muito para o crescimento do país e a melhoria das condições socioeconômicas de milhões de habitantes da região amazônica.

 

A observação foi feita por diversos participantes da sessão em Plenário que homenageou os 72 anos de criação do então território do Amapá, em 1943, por parte do ex-presidente Getúlio Vargas.

A iniciativa partiu do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que presidiu a sessão. Para o senador, a criação do território foi um marco, que buscou reverter décadas de abandono por parte do governo central.

Porém, Randolfe reclama que, a despeito dos esforços dos pioneiros e algumas iniciativas bem-sucedidas, ainda persiste uma visão de distanciamento e não-priorização da região por parte do governo federal. Como exemplo dessa situação, o senador cita a não conclusão da ponte do Oiapoque e outras obras, além de contratos desvantajosos na área de energia.

Excluídos

Para o senador João Capiberibe (PSB-AP), o Amapá pode ser um contrapeso ao modelo histórico de desenvolvimento nacional, marcado pela dependência externa, a devastação ambiental e a exclusão social.

O senador também lembrou que o Amapá é “mineralizado, talvez algo só comparável a Minas Gerais dentro do nosso território”. O problema, segundo ele, é que a região amazônica como um todo ainda paga o preço de um modelo voltado para as elites do Centro-Sul.

Capiberibe cobrou especificamente da presidente Dilma Rousseff a inauguração da Ponte do Oiapoque.

— Falta muito pouco, a França já fez sua parte, e há quatro anos que o povo do Amapá aguarda a conclusão do nosso lado — reclama.

O senador lembra que a fronteira com a Guiana Francesa é a maior de um território francófono em todo o mundo, podendo servir inclusive para uma maior integração com a União Europeia.

Capiberibe ainda fez questão de mencionar que batalha por uma maior integração com as Guianas e o Suriname desde a década de 70, quando fez parte de grupos que combateram a ditadura militar. Lembrou a resistência desses grupos a projetos tecnocráticos do regime, que no seu entender teriam “um alto teor de exploração ambiental e socioeconômica”.

— Se tivessem implantado tudo que queriam, algumas vezes em parceria com grupos internacionais, seríamos hoje um Estado devastado, e não preservado — afirmou.

Defesa das riquezas

Capiberibe fez ainda uma menção às origens históricas da criação de um território próprio ao norte da Amazônia.

— Tal estratégia remete a nosso período colonial e imperial, e fez parte da geopolítica militar estabelecida pelo Marquês de Pombal, sendo relativas à defesa do domínio brasileiro sobre as inúmeras riquezas da região.

Dando continuidade a essa concepção, o senador elogiou o ex-presidente Getúlio Vargas pelo desmembramento do Amapá do estado do Pará em 1943, oficializando-o como território federal. E a partir de 1988, o Amapá foi reconhecido como estado membro da federação.

Também participaram da sessão o prefeito de Serra do Navio, José Maria Lobato, e o procurador-geral de Justiça do Amapá, Roberto Alvares, além da cantora Hanna Paulino, que fez uma apresentação de canções típicas da tradição popular local.

 

Da Agência Senado

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Discussion1 Comentário

  1. O maior entrave ao desenvolvimento é a política ainda, ou a falta dela, pois um setor tão importante sempre foi relegado a segundo plano pelos políticos. Tentamos desenvolver a criação de um apolítica estadual através da fundação do Sindicato dos Trabalhadores da Mineração, mas ainda não obtivemos êxito, pois a maioria dos que entram nos órgãos de regulação e fiscalização do setor, só querem benefício próprio e só apoiam projetos de seus apadrinhados ou de grandes empresas!

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