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Empresas brasileiras aderem a entregas por bicicleta; serviço é ágil, menos poluente e barato

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Há algo em comum entre as grifes Reserva e Wöllner, a TNT Express, a loja virtual de artigos esportivos Netshoes, o Sorvete Itália e a revista “The Economist”. Estas marcas aderiram ao modelo de entregas com bicicleta. Seguindo tendência já consolidada na Europa e nos EUA, cresce o número de empresas que oferecem o serviço de logística sustentável no Rio e em outras cidades do país. As vantagens do ciclista courier estão no uso de um transporte que não polui e no deslocamento em centros urbanos com maior agilidade e rapidez que o das motos. E em tempos de crise, o mais importante: o serviço cobra em média 30% menos pelas entregas que o motofrete.

 

Na turbulência financeira, a magrela avança na corrida pelo mercado dominado pelos motoboys. O Sindicato dos Empregados Motociclistas do Rio (SindMoto) — que também cuida do novo segmento — reconhece já haver retração no número de trabalhadores com carteira assinada em entregas por motocicleta. No município do Rio, eles caíram de 35 mil para perto de 32 mil este ano, conta Carlos Augusto Reis, presidente da entidade:

— A bicicleta está ganhando espaço porque, com a crise, cai o custo para quem contrata. Os salários dos profissionais, que não contam com adicional de periculosidade de 30% como os motoboys, a manutenção e os gastos com os equipamentos são mais baixos.

DE DOCUMENTO A BOMBOM

Os bikers destacam o custo reduzido do veículo e a sustentabilidade. Mas sublinham outro diferencial na briga com a motoca:

— Os bikers oferecem um atendimento atencioso e personalizado. Tivemos uma cliente, por exemplo, que ao ligar para pedir um serviço contou estar chateada por ter sido assaltada naquele dia. O nosso courier levou uma caixa de bombons para ela — explica Cristian Trentin, um dos sócios fundadores da Ecobike Courier, que botou suas primeiras bicicletas para rodar em Curitiba (PR) em 2011.

A Ecobike já está em seis cidades do país — incluindo Rio e São Paulo — e chega a sete em janeiro, com Recife. A sede na capital paranaense tem 25 bikers fazendo perto de oito mil entregas ao mês. Aos 32 anos, formado em desenvolvimento de sistemas para internet e com MBA em gestão de empresas, Trentin pedala atrás da meta de ter mais 29 unidades no país em 2016 e chegar a 85 até 2019.

A Ecobike fechou contrato com a TNT Express. Cuida da entrega de documentos que chegam do exterior nas cidades onde atua. Em contrapartida, pode coletar documentos e itens para entregas nos 220 países onde a multinacional opera.

— Começamos a usar as entregas de bicicleta em setembro de 2014, principalmente pelo modelo sustentável. Mas ganhamos em agilidade. A entrega de bicicleta é feita em um terço do tempo, por preço similar ao da tradicional — conta Rodrigo Berutti, gerente de serviços compartilhados da Reserva, que já tem 85% das vendas pelo e-commerce entregues no Rio de camelo.

No caso da Wöllner, nas áreas do Rio onde o serviço está disponível, as entregas das vendas on-line são feitas de bicicleta:

— Fazemos isso há pelo menos seis anos. Nossos clientes recebem um registro do quanto aquela entrega reduziu as emissões de CO2 na atmosfera — conta Lauro Wöllner, empresário, ciclista e triatleta.

Já Ronaldo Silva, um dos fundadores da Ciclo Courier, traduz o perfil dos profissionais no segmento:

— Já pedalava. E transformei um hobby em ganha-pão. E é um nicho que permite conciliar o trabalho com estudos ou outra atividade profissional — diz ele, de 32 anos, que se reveza entre os trabalhos de biker e o de professor de filosofia na rede estadual de ensino.

Não raro, os couriers são jovens e têm nível superior. Mas há profissionais de diversos perfis e idades. O salário mensal varia de R$ 1.000 a R$ 1.600, com seguros de saúde e de vida e bonificações. Cada biker recebe R$ 100 ou mais ao mês como taxa de locação da bicicleta pela empresa, para gastos com manutenção.

O engenheiro René Dérenger, à frente da franquia carioca da EcoBike, aberta há três anos, apostou no projeto como novo caminho profissional. E se dedica a buscar mais clientes:

— A partir de janeiro, faremos a distribuição da “The Economist” no Rio. São 800 assinantes por semana. A revista nos contratou para fazer a gestão das assinaturas.

INVESTIMENTO DE R$ 50 MIL

A demanda é crescente. A Netshoes conta com a chamada Entrega Super Esportiva desde 2013 em São Paulo. No Rio, o serviço de bicicleta passou a ser oferecido em maio deste ano. De lá para cá, a demanda pela entrega de bicicleta subiu 200%.

O engenheiro de produção Vinícius da Justa, de 25 anos, deixou o mercado financeiro para abrir em março a unidade da paulistana Courrieros no Rio, em sociedade com o também engenheiro Alexandre Messina. Em nove meses, já contam com dez bikers.

— A demanda cresce em diferentes frentes. Há serviços avulsos, contratos regulares e aqueles em que nosso profissional fica fixo no cliente — conta Da Justa, que prevê recuperar o investimento de R$ 50 mil em 18 a 24 meses.

De O Globo

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