Amapá comemora, com debate, o Dia Internacional das Parteiras Tradicionais

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Mais de 100 parteiras de vários municípios do Amapá participaram na manhã deste sábado, 14, de um debate a respeito do Dia Internacional das Parteiras, cuja data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1991 e é comemorada em 5 de maio, mas aqui no Estado passou em branco. O evento, realizado no auditório da Paróquia São Benedito, no bairro do Laguinho, foi organizado pelos mandatos da deputada federal Janete Capiberibe e da vereadora Neuzinha, ambas do PSB, e pela Rede das Parteiras do Amapá.

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“A verdade é que hoje essas mulheres não têm muito o que comemorar. Muitas foram desligadas do programa Renda para Viver Melhor e as que ficaram estão há cinco meses sem receber. Não estão sendo valorizadas como merecem, porque  onde o serviço público de saúde não chega são elas que fazem o papel de toda uma equipe médica”, desabafou a deputada Janete.

No Amapá, o Projeto das Parteiras Tradicionais foi implantado pela então primeira-dama e deputada estadual Janete Capiberibe, com apoio do governador João Alberto Capiberibe, durante o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), em 1995.

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A presidente da Rede Estadual das Parteiras, Maria Luiza, falou da importante missão de partejar e agradeceu o apoio do senador Capiberibe e da deputada Janete. “Se não fosse o apoio desse casal não estaríamos organizadas. Hoje, mesmo sabendo que esse governo não valoriza as parteiras, sabemos que jamais seremos abandonadas pelo PSB”, declarou.

O pedido de socorro

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As índias Wajãpi do município de Pedra Branca do Amapari, Kanani e Pakita, lembraram que, no passado, elas ganhavam o kit parteira que auxiliava no nascimento das crianças nas aldeias e hoje os partos são feitos como na época dos seus avós. “Só queremos respeito. No meio da floresta são as parteiras que socorrem as mulheres e o governo não valoriza isso”, desabafou Pakita Wajãpi.

O futuro 

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Falando como pré-candidato a prefeito de Macapá, o engenheiro Ruy Smith garantiu às parteiras que, como prefeito, vai desenvolver políticas que valorizem as mulheres da capital, com destaque também para as que atuam na zona rural do município. “Vamos criar o Centro de Referência da Mulher Municipal, onde as parteiras serão inseridas e valorizadas”, pontuou.

Pelo país

Estima-se que sejam 60 mil parteiras tradicionais em todo o Brasil, não somente nos lugares mais distantes, mas também nos grandes centros, nas periferias, onde os serviços de saúde pública não chegam.

Exemplos

Nos países desenvolvidos, como a Suécia, as parteiras foram o principal mecanismo de saúde pública para a redução da mortalidade materna e infantil. Integram a saúde pública e são muito respeitadas até hoje.

Onde tudo começou

O programa para capacitação, inclusão e reconhecimento das parteiras tradicionais foi implantado pelo Governo do Estado no Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá, em 1995.

A valorização

Naquela etapa do programa, entre 1995 e 2002, o governo teve como parceiros o Unicef, o Ministério da Saúde e a ONG Cais do Parto. Ao final de 2002, já haviam sido realizados 17 cursos em vários municípios, requalificadas 123 parteiras, capacitadas 927, cadastradas 1.653 e incluídas no programa de renda do PDSA 1.453 parteiras tradicionais.

Os resultados

Os índices de mortalidade infantil e de mortalidade materna e perinatal foram reduzidos. O índice de parto cesariano no Amapá tornou-se um dos menores do país: 140 a cada mil nascimentos.

O reconhecimento

Em 1998, o Estado sediou o I Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais do Amapá. Naquele mesmo ano, o projeto “Parteiras Tradicionais do Amapá” recebeu o Prêmio Paulo Freire, tornando-se reconhecido nacional e internacionalmente.

A luta continua

Em 2003, como deputada federal, Janete apresentou na Câmara projeto de lei com o objetivo de criar um programa para tirar as parteiras tradicionais do anonimato, reconhecê-las, resgatar seu saber, capacitá-las, incluí-las no serviço público de saúde e remunerá-las pelo serviço que prestam.

O resgate

Após oito anos de abandono, foi realizado novamente no Amapá, pelo Governo do Estado no ano de 2012, o II Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais, de onde saiu a Carta do Amapá que norteará o debate para consolidar o Projeto Parteiras em todo o país, seja pelo Poder Público, seja pela capacidade de protagonismo, pela atuação das próprias parteiras tradicionais.

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As autoridades

Além do senador Capiberibe e da deputada Janete, ainda participaram do encontro os vereadores do PSB Alan Ramalho, Washington Picanço, Neuzinha Velasco e o professor Madeira,  além do ex-deputado Ruy Smith.

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