Indígena é o 1° suruí a ser aprovado em um programa de mestrado em Rondônia

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Gasodá será aluno do programa de mestrado em Geografia da Unir. Projeto de produção sustentável irá beneficiar a aldeia, diz pesquisador

 

Com um projeto que visa o mapeamento cultural como forma de fortalecimento da gestão territorial da Terra Indígena Sete de Setembro em Cacoal (RO), Gasodá Suruí, de 37 anos, foi aprovado no mestrado em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e se tornou o primeiro suruí a ser aceito em um programa em nível de mestrado.

Segundo a Unir, é a primeira vez na história da universidade que o Programa de Pós-Graduação em nível de Mestrado terá discentes indígenas. Francisco Oro Waram, de Guajará-Mirim (RO) é o outro indígena aprovado.

Formado em turismo, Gasodá atua como pesquisador indígena e coordenador cultural da Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí. De malas prontas para Porto Velho, onde deve residir durante os primeiros semestres de estudo, ele lembra que tudo começou quando tinha apenas 11 anos e teve que deixar sua aldeia e ir para cidade em busca de um lugar onde pudesse seguir com seus estudos.

“Como onde eu morava só oferecia estudos até o 4º ano do ensino fundamental e sempre tive vontade de estudar fui obrigado a deixar minha família na aldeia e vim para cidade onde prossegui na escola. Depois de muita luta me tornei um dos primeiros suruí a ter uma graduação de nível superior e agora sou o primeiro a ser aprovado em um mestrado na Unir. Sei que nos últimos anos houve grandes avanços que possibilitaram o ingresso dos índios na universidade, porém acredito que nada vem de graça. Toda conquista exige uma boa carga de esforço e dedicação, como foi meu caso”, revela.

Sem esquecer de suas origens e preocupado em ajudar seu povo a produzir com mais eficiência para garantir sua permanência na floresta, o indígena se dedicou a estudar e pesquisar formas de produção mais sustentável.

“Minha pesquisa tem por objetivo conscientizar os suruí de como eles podem usar o território sem colocar em risco o potencial e as riquezas que a floresta oferece a eles. A partir desse conhecimento vamos conscientizar também o mundo não indígena a trabalhar em parceria para o desenvolvimento do planeta de forma responsável e justa”, expõe.

Sempre com os livros nas mãos, Gasodá deixa claro que sua busca pelo conhecimento não tem ponto final. “Assim que concluir o mestrado vou tentar um doutorado na área. Também quero montar uma instituição dentro da aldeia para dar apoio técnico na elaboração de projetos de produção sustentável”, aponta.

Com informações do Amazonia.org.br

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