ARTIGO / A saúde no Amapá agoniza

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Jardel Nunes*

O atual governo do Estado do Amapá promove a inoperância e o total descontrole de sua gestão na área de saúde.

No ano de 2015, assistimos, infelizmente, uma administração catastrófica da saúde pública no Amapá. Alguns casos ficaram marcados como: a decretação de estado de emergência, o corpo de um bebê que foi incinerado por engano, no primeiro trimestre deste ano morreram 44 recém-nascidos e as demandas judiciais em desfavor da SESA cresceram 22% e no ano seguinte, iniciou-se o parcelamento dos salários.

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Amapá disse que a saúde pública é o cenário desolador do descaso com a vida humana. Um verdadeiro retrocesso e que precisa de intervenções por parte do Ministério Público.

O atual governo, designa a auditoria da SESA para diversos órgãos das suas unidades hospitalares e não dá prosseguimento nos resultados das auditorias. São vários alertas dos órgãos de controle interno. O quadro é desolador, a falta de medicamentos básicos para a assistência, entre outros, e também falta dos medicamentos especializados para oncologia, esta situação, obriga as famílias dos pacientes a comprarem os medicamentos necessários. Vemos medicamentos vencidos nas farmácias dos hospitais e Unidades Mistas de Saúde e alguns sendo administrados nos pacientes, sem nenhuma intervenção da gestão.

Tem também o reflexo da completa falta de Segurança e Vigilância Patrimonial na rede de saúde estadual, colocando em risco a vida de servidores, pacientes e acompanhantes. Além das constantes suspensão de prestação de serviços terceirizados essenciais como alimentação, exames, laboratório, Tomografia, Raio X, Ultrassonografias e outros.

Podemos citar também as obras paralisadas dos hospitais e já com penalidades de devolução dos recursos do Fundo Nacional de Saúde e da Caixa Econômica Federal por inoperância da SESA.

Hoje temos uma total falta de apoio técnico no Núcleo de Planejamento da SESA aos novos gestores municipais, que agonizam diante da inexperiência e das responsabilidades inerentes à gestão municipal do SUS.

As mazelas são muitas e agora estão criando uma cortina de fumaça diante das agruras do sistema de saúde que são a contratação das Organizações Sociais da Saúde, as famosas “OS”. Aqui não me estenderei para discorre sobre elas, pois de acordo com os Ministérios Públicos de alguns Estados, onde ocorreram escândalos, as Organizações Sociais da Saúde, são sinônimos de corrupção com recursos públicos e a efetiva relação com o caixa dois em processos eleitorais.

Nos noticiários não ouvimos nada que nos mostre a percepção negativa da assistência que poderia ser o termômetro de que a saúde está longe do centro das prioridades do atual Governo. Não se tem notícia a não ser o testemunho do descaso feito por pacientes e seus familiares e os profissionais da área, que todos os dias se deparam com a falta de infraestrutura, desabastecimento da rede, equipamentos sucateados e a ausência de leitos, entre outros inúmeros problemas.

Uma rápida visita aos hospitais do Estado e unidades nos demais municípios, é possível ver a situação deplorável e devastadora que se encontra a assistência, refletindo o retrato da saúde pública amapaense. As imagens revelam o desespero de quem precisa de cuidados e de quem quer cuidar.

Tenho convicção de que as mudanças são possíveis e dependem basicamente de dois fatores: vontade política e competência de gestão.

Infelizmente, o que vemos hoje não poderia ser diferente, pois não é possível ter sucesso onde não se tem gestão. O sistema de saúde desmancha-se diante de um silêncio assustador de todos.

*Administrador, Ex-Secretário de Saúde do Amapá

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