ARTIGO/Teatro das Bacabeiras faz aniversário clamando por reforma e o que acontece?

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Há exatos 28 anos, no dia 9 de março de 1990, também numa manhã cinzenta de chuva como a que vivemos na sexta-feira, era inaugurado pelo governador do Estado do Amapá, Jorge Nova da Costa, o Teatro das Bacabeiras, que a princípio recebeu o nome de Cine Teatro de Macapá.

 

Durante esses 28 anos muita coisa aconteceu naquela casa de espetáculos fincada no centro da cidade, ali no Largo da Matriz, berço de Macapá, na Rua Cândido Mendes. E já nasceu sob muita polêmica, impulsionado por um grande debate da sociedade, sobretudo pela classe artística, para chegar finalmente em definitivo ao nome “Teatro das Bacabeiras”.

Um belo nome que tem sentido, extraído de nossas origens, já que Macapá vem da palavra indígena “macapaba”, que significa “terra das bacabas”, ou das bacabeiras, batizada pelo povo ancestral tucuju.

Sem um grande Centro de Convenções do Estado, o Teatro das Bacabeiras tornou-se palco praticamente de tudo, de espetáculos culturais e artísticos, passando por formaturas de conclusão de cursos de nossas universidades e escolas de ensino médio, e até culto de louvores de igrejas evangélicas. E, por fim, eventos governamentais de toda espécie, incluindo cerimônia de posse de magistrados e políticos eleitos. “Pau pra toda obra”, como no dito popular. Por isso a casa muito pouco se fechou para reformas.

A maior delas, depois de mais de 10 anos de funcionamento ininterrupto, aconteceu em 2002, no governo do PDSA (Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá) do socialista João Capiberibe. E foi uma reforma e tanto, ninguém pode negar. Eu era assessor de comunicação do governador e fui algumas vezes testemunha da visita dele à obra na época. E lembro que a orientação aos engenheiros e operários era não mudar nada, fazer a reforma sem alterar absolutamente nada do original. Como assim de fato aconteceu. A reabertura deu-se no governo tampão da petista Dalva Figueiredo, em 2003, porque Capi no último ano teve que se desencompatibilizar do governo para se lançar candidato a senador.

Há quase três décadas de existência, hoje o Teatro das Bacabeiras precisa mais que nunca de uma grande reforma. E é o que propôs o senador Capiberibe ao conversar com artistas e numa visita repentina que fez ter constatado o difícil estado em que se encontra a nossa maior casa de espetáculos e a sua urgente necessidade de reforma.

Para isso, quase na virada do ano de 2017 para 2018, apresentou no Senado Federal Emenda de R$ 450.000,00 para o início da grande reforma. E agora o senador alerta que só falta o governo do Estado fazer a sua parte, isto é, cadastrar a proposta no Sistema de Convênios do Governo Federal (Siconv) para garantir o recurso.

O Governo do Amapá fazendo esse dever de casa e a verba sendo liberada, inicia-se a Gestão Compartilhada da reforma do Teatro das Bacabeiras, que é a forma revolucionária que o senador Capi e a deputada Janete criaram para a aplicação do dinheiro público de suas emendas, da maneira mais transparente possível e com a comunidade acompanhando passo a passo o caminho do recurso que vem do contribuinte – o pagamento de impostos – em grupos no WhatsApp.

Depois de muito clamar por reforma urgente, o Teatro das Bacabeiras aos 28 anos é ouvido e recebe a confirmação de que para a cultura e as artes em breve melhores dias virão.

Parabéns, Teatro das Bacabeiras!

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Aroldo Pedrosa é produtor cultural e foi diretor do Teatro das Bacabeiras no Governo Camilo Capiberibe.

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