Consulta Aberta do PSB constata abandono da população do Vale do Jari

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Das paradas à beira da estrada para conversas rápidas com agricultores até os eventos maiores, que ocorreram neste final de semana nas cidades de Laranjal e Vitória do Jari, onde João Capiberibe realizou duas Consultas Abertas para definir se será candidato a reeleição ao Senado ou ao Governo do Estado, a reclamação do abandono foi o tema central de todas as conversas.

 

Áreas mais afetadas pela falta de políticas públicas citadas pelos moradores foram: saúde, educação e segurança pública. Na primeira área, em Vitória do Jari, por exemplo, houve relatos até da aplicação e distribuição de remédios vencidos. Água distribuída pela Caesa sem qualidade e energia faltando quase todos os dias.

“Senti na conversa com as mulheres que alguma coisa está faltando e o que falta é respeito com o cidadão. Ouvimos relatos de medicamentos vencidos e isso é uma maldade com a população. Coisas como essas não podem acontecer e independente de qualquer resposta desta consulta vamos acionar o Ministério Público para que providências sejam tomadas. A construção de um Amapá melhor deve ser feita com participação popular e foi por isso que viemos aqui, ouvir o que deseja a população”, pontou a deputada federal Janete.

Sobre a Consulta Aberta nas duas cidades o desejo da população é de que João Capiberibe sai candidato ao governo. Pessoas até de outros partidos deram sua opinião com relação a este assunto, como foi o caso do presidente do diretório municipal do PSOL de Laranjal do Jari, Simpson Durans.

“Capi e Janete são dois exemplos de políticos no que tange a ética e a defesa dos interesses do povo. E o Amapá precisa de pessoas comprometidas em oferecer serviços públicos de qualidade ao cidadão. Aqui, no Jari, aguardamos a orientação do partido, mas meu desejo, como cidadão, é de caminharmos juntos”, opinou.

O ex-governador e coordenador da Fundação João Mangabeira, Camilo Capiberibe, destacou que o PSB quer uma candidatura que represente a resistência em relação ao retrocesso que está ocorrendo no Estado, que afeta todos os municípios, incluindo Laranjal do Jari.

“Aqui, não existe atualmente políticas públicas para desenvolver o Vale do Jari, a educação está sucateada, como é o caso da Escola Nazaré Rodrigues, a segurança pública está sucateada. Mas, é preciso que a sociedade entenda que é papel dela produzir as mudanças, não apenas votando, mas cobrando aquilo que foi prometido, participando da construção ou da reconstrução do lugar onde vive. E essa consulta quer justamente isso, um pacto coletivo por um Amapá melhor. Porque a mudança tem que ter a participação de todos. Por isso viemos aqui perguntar: vocês querem Capi candidato a reeleição ao Senado ou ao Governo do Estado?”, perguntou Camilo.

Clezio Viegas, ex-presidente da Colônia Z10 de Laranjal do Jari, lamentou o abandono do setor pesqueiro e elogiou a iniciativa de se fazer a consulta ao povo. “Pela primeira vez vi um governante sentar e ouvir o que o povo quer e isso ocorreu no PPA de 2012 e nós pescadores pedimos uma fábrica de gelo e fomos atendidos. Até 2014 ela funcionava, sendo administrada pela Colônia e o gelo era vendido a sete reais a saca para o pescador. Hoje foi terceirizada e o preço subiu para R$ 20. E quem está pagando o preço é o cidadão. Então queremos um governante que honre seus compromissos. Por isso, nesta consulta os pescadores querem dizer que sim, que queremos Capi candidato a governador”.

João Capiberibe durante a Consulta Aberta fez o seguinte comentário: “Ultimamente as pessoas não me dão bom dia, ao invés disso perguntam: tu vem? E eu respondo com o questionamento: nós vamos? Isso porque hoje não tem como governar o Amapá sem o apoio da população, que com os meios tecnológicos que temos pode participar de forma efetiva do governo, principalmente fiscalizando o recurso público que é seu. Um governo eleito com esse apoio popular tem autoridade para fazer as mudanças necessárias para devolver o direito das pessoas que foram tiradas pelo atual governo. Mas, ser candidato ou não é uma decisão coletiva. E é por isso que viemos ao Sul do Amapá ouvir a população”, comentou o senador.

Capi disse ainda que sem coesão na sociedade não há possibilidade de desenvolvimento e a coesão se constrói na política. “Mas, não essa política da troca de favores, e sim na política que pensa no coletivo. É isso que estamos construindo com um projeto chamado de Gestão Compartilhada, que busca envolver a sociedade em torno da fiscalização daquilo que é seu. É por isso, que viemos ao sul do Amapá, no Vale do Jari, ouvir a comunidade”, resumiu.

A resposta ao questionamento com relação a candidatura de João Capiberibe, que também ocorre pela internet, será dada na próxima sexta-feira, 23, quando ele anunciará sua decisão de sair candidato ao Governo do Amapá ou não.

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