Mais uma rasteira em Neymar

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Por Roberto Helena Júnior

 

Não bastasse toda a pancadaria que sofre dentro das quatro linhas, Neymar acaba de ser derrubado pela onda de memes que se espalhou por esse mundão afora. Aquela ladainha de cai-cai, não passa a bola pra ninguém e tal e cousa e lousa e maripousa.

Assim, o craque, que esteve listado entre os três melhores do mundo no ano passado, ao lado de CR7 e Messi, ficou de fora dos dez melhores da Fifa para este ano.

Ah, mas não jogou nada na Copa do Mundo. Pois é. Nem ele, nem Cristiano Ronaldo, tampouco Messi, dois que estão no rol da Fifa. Em contraposição, Perisic, da Croácia vice-campeã do mundo, que jogou uma barbaridade na Copa, também não está.

É inacreditável como a humanidade, cada vez mais, se comporta como um rebanho de ovelhas. Alguém solta um balido lá e todo o resto vai atrás.

Sei lá. Essa coisa de carisma é um tanto inexplicável. Que fenômeno é esse capaz de cativar as pessoas ou nelas despertar ódio em relação a certas celebridades? Às vezes, um ator de cinema ou tv é simplesmente desprezível na intimidade e mesmo assim é amado publicamente. E vice-versa.

É o caso de Neymar.

Não me consta que o rapaz viva uma vida desregrada, que saia por aí chapado dirigindo a duzentos por hora, que passe seu tempo desencaminhando moçoilas ingênuas, noite sim, noite não, meta-se em encrencas, quebrando botecos, coisas desse tipo que, em geral, a sociedade condena.

Tampouco é agressivo em suas mensagens nas redes sociais. Ao contrário: revela-se um pai amoroso e atento, assim como sólido parceiro de sua namorada famosa, apesar de algumas idas e vindas, próprias de um relacionamento entre jovens badalados.

É festeiro? É, como a imensa maioria dos carinhas de sua idade, sobretudo os afortunados como Neymar, que, por sinal, ganha seu pão dourado com o suor de seu rosto, literalmente.

Claro que reações estúpidas como aquelas do seu pai quando uma repórter da Folha tentou entrevistá-lo por telefone só servem pra jogar mais lenha na fogueira das vaidades.

No fim de tudo, o que resta é a constatação de que a turma não vai com a cara do moço. Até aí, que fazer? Uma campanha pelas mídias para mudar essa imagem? É possível, não sei se isso funciona ou não.

Só sei que não me peçam pra Neymar, no campo de jogo, deixar de ser aquele moleque inventivo, driblador, assistente emérito e goleador implacável. Porque aí estarão assacando não contra o craque ou a pessoa em si, mas, sim, contra o futebol como arte e diversão.

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