Insegurança: violência cresce e toma conta da Grande Belém

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A insegurança não é mais exclusividade dos grandes centros urbanos e capitais. Ela se espalhou para cidades antes consideradas pacatas.

 

Com mais de 10 mil habitantes, Ananindeua surge no Mapa da Violência 2014 como o 5º município com mais assassinatos nos últimos cinco anos e o mais violento do Pará. Marituba também está inclusa na lista de 100 cidades mais violentas do país ao ocupar a 84ª posição, e é a 8ª localidade mais sanguinária do Pará.

Na mesma rua onde morava a universitária Ingred Kassia da Costa, assassinada na noite da segunda-feira, 20, reside o aposentado Rubens José de Lyra Castro, 89 anos. Ele mora há 28 anos na Cidade Nova 5. Rubens conta que, devido à violência, alguns costumes tiveram que ser mudados.

“Quando cheguei aqui na Cidade Nova davam casa. Ninguém queria vir pra cá porque achavam longe e era difícil o transporte. Antigamente, a gente sentava na porta de casa. Agora não dá mais. Antes eu ia pro campo de futebol. Chegava tarde. Parei de fazer isso”, diz.

Monica Silva, 35 anos, é proprietária de um comércio todo gradeado no canto da WE 59, também na Cidade Nova. Nunca foi assaltada, mas teme que um dia isso ocorra. Ela lembra de um assassinato que chocou a todos. “Há dois anos assassinaram um homem que estava sentado nessa praça aí, quase em frente daqui. Já pensei em me mudar, mas não consigo nem pensar em outro lugar pra ir”.

MARITUBA

Para o aposentado João Costa, 69 anos, morador do bairro Almir Gabriel, em Marituba, não há para onde fugir. Qualquer lugar é inseguro. “Nessa terra não tem ninguém que acabe com essa violência. Aqui não tem lei que faça o cara ficar preso. É só pagar e depois é liberado. Se sair te roubam. Tanto faz. Marituba, Jurunas, Icoaraci. É todo lugar. A polícia é forte, mas ainda assim continua a ter mortes. Lugar bom mesmo é só céu”, enfatiza

Na Rua Candido Morgado, bairro do Decouville, onde mora a técnica em radiologia, Lucimara Sousa, 33 anos, os crimes são constantes. Ela foi assaltada na porta de casa. “Só foi eu abrir a grade que levaram meu celular. Já fui tantas vezes assaltada que já perdi a conta. A polícia passa, mas parece que é o mesmo que nada”.

TRÁFICO

Como explicar a onda de homicídios que se tornou a principal causa da morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil? De 2002 a 2012, houve um crescimento de 175% nas taxas de crimes desta natureza no Pará.

A partir das inúmeras ocorrências e investigações, o delegado Antonio Carlos Macedo, da Seccional de Ananindeua, constata que a principal motivação seria o tráfico de drogas.

“O tráfico de drogas banalizou tudo. É a falta de valorização da vida, da impunidade. As leis precisam de uma nova adequação para nossa realidade. Está vigente no código do processo penal no Brasil, que se a pessoa for condenada por homicídio, pode recorrer em liberdade. O problema da violência em Ananindeua e Marituba é o tráfico de drogas. A juventude está abandonada”, declarou.

TERÇA SANGRENTA

O DIÁRIO noticiou o assassinato de sete pessoas em menos de três horas, na noite de terça-feira, 21. Três mortes ocorreram nos bairros periféricos da Águas Lindas, Curuçambá e Icuí-Guajará. Todos em Ananindeua. O primeiro foi o jovem Jefferson Silva dos Santos, 23 anos, assassinado a facadas pelo próprio cunhado. Eles teriam discutido por causa de uma dívida. O crime ocorreu na rua Debora Calandrini com Campos de Queiroz, em Águas Lindas.

Na rua Victória, Curuçambá, José Maria Pantoja, 29 anos, foi morto a tiros por um homem que desceu de um carro e efetuou cerca de seis disparos. O suspeito fugiu do local. No loteamento Grajaú, no Icuí-Guajará, Roberto Alves da Rocha, 33 anos, levou tiros e golpes de faca dentro da própria casa. Dois homens teriam cometido o crime.

Do Diário do Pará

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