Ataque de madeireiros leva doença à tribo ameaçada de extinção na Amazônia

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Uma índia da tribo awá, a mais ameaçada de extinção do mundo, adoeceu após o grupo em que ela vivia ser cercado por madeireiros na floresta Amazônica. Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e a ONG Survival Internacional, a índia Jakarewyj pegou “gripe severa” e “doença pulmonar grave”.

 

Equipe do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) do Maranhão diagnosticou as doenças em 9 de março, mas o Cimi diz que a índia ainda não recebeu atendimento específico.

Ela está desde dezembro do ano passado na aldeia assentada Tiracambu, na Terra Indígena Caru (MA). “Desde então, a saúde dessa mulher se deteriorou rapidamente, ela está confusa e com uma aparência emaciada [emagrecida]”, afirma a ONG.

O Cimi diz ainda divergência entre a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) sobre o local de tratamento médico para a índia atrapalham o socorro.

“Os órgãos dividem opinião entre cuidar na aldeia ou transferi-los para a cidade, onde as condições de infecções seriam maiores. Os dois órgãos assumiram publicamente o desentendimento, pelo qual Jakarewyj não pode esperar nem pagar com a vida. Informações levantadas por nossos missionários em área dão conta de que a Sesai pretende fazer a remoção da indígena para a cidade de Santa Inês, mas a Funai é contra”, afirmou o conselho.

O Ministério da Saúde negou que haja essa divergência. “Sesai e Funai têm atuado conjuntamente no apoio a esse grupo, cabendo à Sesai a execução das ações de atenção e serviços de saúde”, informou a pasta, nesta sexta-feira (24). O UOL entrou em contato com a Funai, na quinta-feira (23), mas até a publicação deste texto ninguém havia se posicionado sobre o assunto.

Segundo o ministério, a índia Jakarewyj apresenta “oscilações em seu quadro pulmonar”, e o Dsei do Maranhão acompanha o quadro. “Já foram feitos consultas e exames com especialistas dentro da própria aldeia, uma vez que a remoção para uma unidade de saúde pode ser traumática e prejudicial a indígenas em situação de isolamento”, disse o órgão, que informou ainda que profissionais de saúde vão nesta semana visitar a aldeia para examinar novamente a índia.

Índios isolados

Jakarewyj faz parte do grupo de índios nômades que vivia isolado dentro da floresta desde a década de 80. O grupo se isolou depois de recusar contato com o governo e a proposta de permanecer com o resto do povo awá assentado em aldeia.

Ela, a índia Amakaria (líder do grupo) e o índio Irahoa (filho de Jakarewyj) entraram em contato no dia 27 de dezembro com uma comunidade awá assentada e pediram ajuda por estarem debilitados e sendo ameaçados por madeireiros.

Segundo os índios que acolheram Jakarewyj, o marido dela e outros parentes morreram na floresta por conta da gripe.

“Estavam cercados por madeireiros. Lá perto deles, ouvimos som tocando, muito barulho de motosserra, trator abrindo trilhas para puxar madeira e muitas árvores marcadas para ainda serem derrubadas,” disse um awá assentado ao Cimi.

A Survival Internacional informou que a floresta dos awás foi “violentamente invadida por madeireiros, fazendeiros e colonos” na década de 70 depois que foi descoberto minério de ferro na região. Na década de 80, o Banco Mundial e a União Europeia financiaram o Projeto Grande Carajás.

Estima-se que existam apenas cem índios que fazem parte dos awás isolados, que “podem ser dizimados”, segundo os especialistas, por conta do contato com o homem branco e as agressões à floresta. “Seja pela violência de estranhos que roubam suas terras e recursos, e por doenças como a gripe e o sarampo aos quais não têm resistência”, disse a ONG.

Segundo o ministério, a Sesai começou o acompanhamento permanente dos três indígenas assim que houve o primeiro contato com o grupo indígena isolado.

“As ações de atenção à saúde têm sido executadas por uma equipe multidisciplinar responsável pelo trabalho de imunização, atuação em caso de sinais e/ou sintomas de febre e/ou gripe ou outras doenças contagiosas, monitoramento epidemiológico e levantamento de informações sobre a situação de saúde do grupo”.

A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) determina medidas especiais para os casos de atenção à saúde dos povos isolados e de recente contato.

Do UOL Saúde

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