Chefe de auditoria da Fifa diz que Rússia e Qatar podem perder a Copa do Mundo

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Domenico Scala diz que, se for comprovada a compra de votos, as escolhas podem ser invalidadas

 

Em meio aos escândalos de corrupção que atinge a Fifa, as escolhas de Rússia e Qatar como sedes das Copas de 2018 e 2022 nunca vinham sendo contestadas pela entidade. Pelo menos até este domingo. Em entrevista ao jornal suíço “Sonntags Zeitung”, o chefe de auditoria da Fifa, Domenico Scala, disse que se forem aparecerem evidências de corrupção no processo de escolha das duas sedes, tanto a Rússia quanto o Qatar podem perder a chance de organizar o Mundial.

– Se as evidências aparecerem que as escolhas de Rússia e Qatar só se deram por conta de votos comprados, então a escolha poderia ser invalidada – afirmou Scala.

O dirigente, no entanto, ressaltou que as provas ainda não apareceram.

– Essas evidências ainda não foram apresentadas – afirmou.

As escolhas da Rússia e do Qatar como sedes das Copas de 2018 e 2022 estão entre os alvos da investigação do FBI. Os dois países foram escolhidos como sede em 2 de dezembro de 2010. A Rússia desbancou Inglaterra e as candidaturas conjuntas de Portugal-Espanha e Bélgica-Holanda para organizar a Copa de 2018, enquanto o Qatar levou a melhor sobre EUA, Japão, Austrália e Coreia do Sul pela edição de 2022.

A decisão gerou revolta de ingleses e americanos, que passaram a levantar a possibilidade de compra de votos pelos países vencedores. Reportagem do jornalista britânico Andrew Jennings, em 2011, acusou Jack Warner, então presidente da Concacaf, e Nicolas Leoz, mandatário da Conmebol à época, de terem solicitado dinheiro e um título de nobreza, respectivamente, em troca de apoio à Inglaterra na votação. Warne restá entre os acusados de corrupção e já deu declarações afirmando que pretende contar tudo o que sabe.

Após longa investigação, o Comitê de Ética da Fifa publicou seu relatório final, de 42 páginas, em que dizia não ter identificado “qualquer violação ou quebra de regras e regulamentos” nas escolhas de Rússia de Qatar. Michael García, investigador-chefe do caso na Fifa, e responsável por produzir um documento de 350 páginas que serviu de base ao relatório final, entrou com recurso pedindo que fossem revistas as conclusões do Comitê de Ética. Garcia alegou que o documento final não era coerente com sua investigação, e pediu que a Fifa divulgasse na íntegra seu relatório original.

Na semana passada, a polícia prendeu sete dirigentes da Fifa acusados de corrupção, fraude, extorsão, lavagem de dinheiro e propinas no valor de US$ 150 milhões (cerca de R$ 450 milhões) ligados a Copas do Mundo e acordos de marketing e de transmissão de jogos pela televisão. Entre os presos estava o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que permanece detido em Zurique.

As prisões caíram como uma bomba na Fifa e afetaram diretamente o presidente da entidade, Joseph Blatter. Mesmo diante dos apelos para que renunciasse à disputa eleitoral, o dirigente suíço acabou concorrendo e venceu o pleito. Quatro dias depois, porém, Blatter anunciou que deixará a entidade e convocaria novas eleições para um congresso extraordinário que acontecerá entre o fim deste ano e março do ano que vem.

MARROCOS TERIA VENCIDO COMO SEDE EM 2010

Enquanto Rússia e Qatar correm risco de perder o Mundial, não param de surgir denúncias envolvendo Copas que já aconteceram. Principalmente a de 2010, na África do Sul. Neste domingo, o jornal inglês “Sunday Times” informou que o Marrocos teria vencido a votação secreta para sediar o primeiro Mundial que seria disputado na África, mas os votos foram “deliberadamente contados incorretamente”.

Gravações reveladas pelo jornal mostram que Ismail Bhamjee, então membro do comitê executivo da Fifa, fazendo a revelação a um repórter disfarçado. Na conversa, Bhamjee afirma que, com base no que conversou com colegas da entidade e nos votos deles, “nós descobrimos que, na verdade, o Marrocos venceu por dois votos”. E afirmou que funcionários que contaram os votos podem ter errado de propósito, favorecendo a candidatura da África do Sul. Em seguida, o dirigente disso, “Por favor, isso é muito secreto”.

Bhamjee disse ainda que o Marrocos pagou um suborno de mais de US$ 1 milhão para Jack Warner, mas o então presidente da Concacaf mudou o seu voto no minuto final para a África do Sul porque os sul-africanos “ofereceram mais dinheiro para ele”. Ainda assim, o dirigente garante que os marroquinos teriam saído vitoriosos.

– De fato o Marrocos venceu a votação para receber a Copa do Mundo, mas o Blatter (parte inaudível da gravação) a coisa toda – disse.

A Copa do Mundo da África do Sul vem sendo alvo de investigações desde que surgiu a denúncia de que a Fifa teria transferido US$ 10 milhões para Jack Warner como forma de suborno para votar no país. A Fifa negou que a quantia fosse de propina e os sul-africanos negaram ter pagado qualquer suborno.

Em resposta ao jornal, a Fifa informou que está investigando o caso.

“Estas questão estão sendo investigadas pelas autoridades responsáveis, por exemplo agências governamentais e não jornais. E a Fifa está totalmente comprometida com estas investigações”, informou a entidade.

De O Globo

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