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EDITORIAL / Apertem os cintos, o piloto sumiu!

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Durante o processo eleitoral no Amapá, foi lugar comum ouvir do hoje governador Waldez Góes (PDT) que, se eleito, agiria “ouvindo” as pessoas, “cuidando” da sociedade e realizando os compromissos assumidos em palanque. Ocorre que, para se eleger, Waldez teve de prometer o que ele sabia ser impossível de entregar, e isso gerou uma frustração de expectativas tão elevada que redundou num nível de cobrança maior ainda que a própria expectativa gerada.
Mas, afinal, como é possível um governo se desgastar tanto em tão pouco tempo? A resposta é simples: boa parte dos que venceram eleições criando expectativas irrealizáveis para conquistar o voto estão pagando o preço desse tipo de estratégia. Em muitas situações, candidatos venderam ilusões e se comportaram como se não houvesse o amanhã, pintando uma realidade em cor-de-rosa. No caso da presidente Dilma, por exemplo, o discurso era: não seria necessário fazer ajustes, arrocho, elevar tarifas nem que a vaca tossisse!
No Amapá, para se mostrar superior, o então candidato pedetista fez questão de ignorar que o Brasil vivia uma perversa crise econômica desde 2012, quando as sucessivas quedas nas receitas disponíveis indicavam, cabalmente, que a economia havia desacelerado causando duros impactos na vida das pessoas. Waldez, oportunisticamente, atribuiu as graves dificuldades à gestão de seu adversário político, o então governador Camilo Capiberibe. Pior, contra qualquer prognóstico minimamente responsável, ele prometia repetidamente que nos primeiros dias do seu governo iria “reduzir impostos” e “fazer o dinheiro circular”.
O resultado? Nacionalmente, a presidente Dilma teve que tomar todas as medidas que ela dizia que seu adversário, Aécio Neves (PSDB), faria, caso eleito. Mesmo em campanha, Dilma sabia que a crise era incontornável. Isso ficou claro quando ela optou por mascarar a grave situação vivida pelas finanças nacionais utilizando um artifício financeiro que ficou conhecido como as “pedaladas fiscais”, ou seja, a utilização de recursos de bancos e de outras fontes para custear as despesas correntes do Governo Federal.
No Amapá, os impostos não foram reduzidos, nem o dinheiro está circulando. Pelo contrário, batemos recordes sucessivos em retração financeira e no crescimento do desemprego. Na verdade, os impostos estão sendo aumentados com o vencimento dos convênios que garantiram redução de cobrança a diferentes setores como bares e restaurantes, panificadores, entre outros.
O nível de desaprovação do governador Waldez, que está na faixa de 76% – segundo a empresa de pesquisa nacional GPP -, indica que seu governo, sem sequer completar 6 meses, já perdeu a legitimidade política e a janela para adotar medidas impopulares por vezes necessárias em início de governo, o que é pior. O problema é tão real que impossibilitou o chefe do Estado de participar de um evento que, em tese, seria positivo para si e para o seu governo, como a inauguração, no último sábado (20), da pista de atletismo e da suposta revitalização do gramado do Estádio Zerão. O governador enviou em seu lugar o vice Papaléo Paes, que foi alvo de sonoras vaias, a todo o momento.
Ao que pese a desaprovação do governo Dilma, não se retira da presidente (ainda que se possa discordar da estratégia) a iniciativa em tomar medidas que sinalizam a preocupação em debelar a crise generalizada em que vive nosso país. O corte previsto nos gastos públicos no Brasil, para 2015, é de R$ 70 bilhões, o maior da nossa história. No Amapá, diferentemente, não se vê o menor esforço para mostrar à sociedade a preocupação em adequar a máquina pública à realidade brasileira. Na verdade, as medidas vão exatamente na direção oposta. É como se a crise não existisse: reajuste de salário ao governador, ao vice, a todo o secretariado e aos chefes de autarquias e a criação de cargos bem remunerados, bem como de secretarias completamente desnecessárias.
O nosso país vaga em crise profunda e o Governo Federal luta para reganhar a legitimidade perdida, enquanto que no Amapá nem isso se percebe. Nosso país, apesar das dificuldades, já parece ter uma estratégia desenhada de enfrentamento, enquanto que o Amapá, além da falta clara de um rumo, ainda convive com a ausência física do líder maior. Quando ele deixa de aparecer publicamente, não fala para a sociedade, não apresenta um plano, deixa desamparados todos os amapaenses que acreditaram que seria completamente diferente. Onde está o Waldez próximo do povo? Onde está o Waldez que iria cuidar das pessoas? Onde está o governador que promoveria o desenvolvimento econômico e que faria o dinheiro circular?
Hoje, nas ruas de qualquer município, o sentimento é de desamparo e abandono. O governador escolhido por 60,05% dos votos não se digna sequer a esboçar uma explicação ao povo que o elegeu para o exercício de um terceiro mandato, alicerçado principalmente na sua suposta experiência. Com isso, ficamos todos com a sensação de que o Amapá vaga à deriva, sem rumo e sem comando.

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