Duas espécies de peixes amazônicos serão afetadas por mudanças climáticas

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A produção do cardinal e do tambaqui será afetada nos próximos anos. A constatação foi feita por meio do estudo Adapta, do pesquisador Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)

 

O cardinal e o tambaqui, duas espécies de peixes presentes na região amazônica, deverão sofrer fortes impactos com as mudanças climáticas. Isso foi o que apontou o pesquisador Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que apresentou na última quinta-feira, 16, durante a Jornada Nacional de Iniciação Científica, na 67ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em São Carlos (SP), alguns dados provenientes do projeto Adapta. O trabalho possui financiamento do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

De acordo com o pesquisador, o Cardinal teve alto índice de mortalidade quando exposto a condições severas de mudanças climáticas conforme cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, sigla em Inglês IPCC. O Cardinal é uma espécie de peixe ornamental e tem importância significativa na economia do município de Barcelos, interior do Amazonas.

No caso do tambaqui, Val explica que as mudanças climáticas afetarão a produção. “Vamos ter um efeito significativo. O tambaqui vai crescer menos. Isso impacta na economia e teremos menos proteínas para alimentar a população. Com essas espécies que temos neste momento podemos afirmar que as mudanças climáticas vão diminuir a produção de tambaqui. Agora o que pode ser feito é trabalhar em uma proposta de melhoramento genético”, afirma.

Experimentos feitos nas salas do microcosmos, que simulam os efeitos das mudanças climáticas, demonstraram que em altas temperaturas os mosquitos transmissores da dengue e da malária se reproduzirão mais rápido.

Para chegar aos resultados, o pesquisador e uma equipe de cientistas usam salas temáticas chamadas de microcosmos, que simulam os efeitos das mudanças climáticas. Nestas salas, situadas na sede do Inpa em Manaus, os pesquisadores submetem os peixes aos ambientes simulados para avaliar como eles reagem.

Outros dados

Além dos dados apresentados sobre o tambaqui e o cardinal, as pesquisas feitas nos microcosmos já obtiveram, em cinco anos, resultados significativos.

Experimentos feitos nas salas do microcosmos demonstraram que em altas temperaturas os mosquitos transmissores da dengue e da malária se reproduzirão mais rápido. Os resultados foram descritos pelo pesquisador Wanderli Tadei, do Grupo de Malária e Dengue, do (Inpa) no ano passado.

Em relação às plantas, um estudo da pesquisadora do Inpa Maria Tereza Piedade divulgado no ano passado, revela que as plantas em áreas alagadas submetidas a elevadas temperaturas e alta concentração de CO2 (gás carbônico) foram completamente infestadas por ácaros ou pragas. Com base nos dados gerados pelos Microcosmos, os cientistas poderão criar mecanismos de mitigação com base nos dados gerados a partir das pesquisas.

O projeto

O Adapta é um projeto ligado aos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e representa uma rede de atividades de Biologia Aplicada e tem como proposta buscar um novo momento no estudo das Adaptações de organismos aquáticos da Amazônia por meio da incorporação de novos equipamentos, da estruturação de um serviço de bioinformática, da capacitação de pessoal em todos os níveis além da produção de livros paradidáticos sobre os estudos.

Fonte: A Crítica

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