Após aumento do salário de Waldez, criar novas secretarias e inchar a folha, governo diz que a crise chegou

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Não era necessário ter se recorrido a algum matemático renomado ou a algum papa da economia ou mesmo a uma bola de cristal para saber que, desde o ano de 2014, o Brasil estava mergulhado numa grave crise econômica. Esse cenário negativo da economia mundial e nacional levou os governos – federal e estaduais – a adotarem medidas duras de contenção de despesas para tentar equilibrar as contas públicas. Porém, nem todos seguiram o caminho da austeridade.

 

No Amapá, o governador Waldez Góes (PDT), que disse na campanha eleitoral que estava mais experiente, foi na contramão. Uma das primeiras medidas como gestor foi aumentar o seu próprio salário e de seus secretários, o que representou um impacto financeiro de R$ 7 milhões ao ano aos cofres públicos.

Mas não ficou somente nisso. Como aconteceu nas gestões passadas do governador Waldez (2003 a 2010), o pedetista seguiu o mesmo caminho. Para agradar cabos eleitorais, cuidou logo de nomear mais de quatro mil pessoas, entre contratos administrativos e cargos de confiança.

Em janeiro deste ano, o Governo do Estado do Amapá contava com 28.656 servidores; em maio chegou a 32.933, ou seja, 4.277 servidores a mais na folha de pagamento. O inchaço saltou de R$ R$ 126.012.670,70 em junho de 2014 para R$ 184.566.254,86 em junho de 2015. Para ser mais exato, R$ 58.553.584,16 a mais do que no mesmo período do ano passado, conforme mostram os dados que estão no Portal da Transparência do GEA.

Janeiro: http://www.transparencia.ap.gov.br/consulta/3/41/pessoal/folha-de-pagamento-por-servidor/detalhes/1

Fevereiro: http://www.transparencia.ap.gov.br/consulta/3/41/pessoal/folha-de-pagamento-por-servidor/detalhes/1

Março: http://www.transparencia.ap.gov.br/consulta/3/41/pessoal/folha-de-pagamento-por-servidor/detalhes/1

Abril: http://www.transparencia.ap.gov.br/consulta/3/41/pessoal/folha-de-pagamento-por-servidor/detalhes/1

Maio: http://www.transparencia.ap.gov.br/consulta/3/41/pessoal/folha-de-pagamento-por-servidor/detalhes/1

Junho: http://www.transparencia.ap.gov.br/consulta/3/41/pessoal/folha-de-pagamento-por-servidor/detalhes/1

Na data-base, pela primeira vez não se ouviu o anúncio do reajuste linear e o governo, na tentativa de desarticular as categorias de servidores, passou a divulgar diversas gratificações. No entanto, naquele momento não se falava em crise, mesmo tendo aumentado o salário do primeiro escalão, criadas a Secretaria de Desenvolvimento das Cidades, com 61 cargos em comissão, e a Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, com outros 74 cargos e inchado a folha.

Passados alguns meses e pressionados pela paralisação dos professores da rede estadual que cobram o pagamento da nova regência de classe prometida por Waldez, a secretária de administração, Goreth Souza, admitiu nesta quinta-feira, 20, em entrevista à TV Amapá, que o Estado vive uma crise e que, se o governo for pagar a gratificação aos professores, pode não fechar a folha de pagamento.

A posição da secretária levou o âncora Seles Nafes a indagar se o governo não previa esse cenário, levando a crer que o Estado desenvolve uma política econômica desastrosa e que deve servir de estudos para as administrações sobre como um gestor pode agravar ainda mais uma crise.

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