No bolso: refeição feita em casa sobe mais que almoço na rua

0

É a primeira vez em quase dois anos que os preços da alimentação em casa sobem mais do que fora

 

Em tempos de preços em alta, o brasileiro só pensa em economizar. E comer em casa é sinônimo de redução de gastos. Com isso, a inflação das refeições fora do domicílio tem perdido fôlego. E já sobe menos do que os alimentos comprados para consumo em casa.

Nos últimos 12 meses, manter a despensa abastecida ficou 10,54% mais caro. Já fazer lanches na rua ou sair para jantar encareceu 10,41%. É a primeira vez em quase dois anos que os preços da alimentação em casa sobem mais do que fora.

Segundo analistas, a crise pode ser uma das explicações para o avanço menor da alimentação fora do domicílio:

— Uma menor demanda pode ser o fator preponderante. Os custos estão subindo, mas a demanda está se reduzindo, e o comerciante pode não ter como repassar. Por isso, prefere diminuir a margem de lucro — explica Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Luís Otávio Leal, economista-chefe do banco de investimentos ABC Brasil, também considera que a taxa mais baixa da inflação da alimentação se deve a uma redução da demanda:

— Se olharmos para trás, antes de 2014, a alimentação fora de casa só subia, acompanhando o crescimento da renda, com mais pessoas comendo na rua, com os comerciantes repassando os custos sem problemas. Agora, a restrição na demanda faz com que os restaurantes tenham mais dificuldades para repassar aumentos por meio dos preços.

CONFIANÇA ABALADA E RENDA MENOR

Para o economista da LCA Consultores Fabio Romão, os preços vinham subindo devido à crise hídrica e à desvalorização do real:

— Com a confiança abalada e a renda menor, muitos consumidores reduziram o consumo de alimentos fora de casa. Como é um serviço, o espaço para reajustes é menor com a demanda afetada.

Já para Leonardo França Costa, economista da Rosenberg Associados, trata-se de um fenômeno pontual.

— Alimentação fora de casa varia menos mesmos. Acho que é um comportamento do grupo (alimentos em geral) como um todo, que já estava num nível bastante alto — afirma.

Desde julho do ano passado, o brasileiro não tem refresco quando vai comer fora. A taxa acumulada em 12 meses da alimentação fora do domicílio está, desde então, na casa de 9% a 10%.

De O Globo

Leave A Reply

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com